"E, fatalmente, vão se cruzar por aí. São tantas as esquinas. Vocês vão
beber um café quente juntos, falar amenidades, sobre novos cortes de
cabelo, você está bonita, e você mais maduro, como está sua mãe e tudo
mais. Nos momentos de silêncio, baixarão o queixo, com medo de amarrar
olhares e, talvez, voltar tudo aquilo outra vez. Mas vai ser só isso.”
“Ela
vai dar pra você sem a necessidade de seguir os passos
“encantar-seduzir-possuir-escapar-manipular-humilhar”. Ela vai dar pra
você se demonstrar que pode ir um pouco além do compromisso consigo
mesmo. E você enche a boca orgulhoso pra falar das suas atitudes
distintas, contra-modistas, então ouve isso: cuida direito dessa menina,
rapaz.”
“E a gente vai se olhar e rir de todo esse dramalhão,
vou te chamar de bobo, você vai me chamar de besta e amanhã de manhã um
outro sol, não mais tão quente e nem tão brilhoso quanto antes, vai nos
convidar pra passear enroscados na calçada da mesma ruazinha apertada e
sem graça de sempre, como sempre foi. E as pessoas vão perguntar se você
voltou. E você vai dizer que nem foi.”
“Eles parecem mesmo
presos, mas presos por aquele tipo birrento e obstinado de nó, o nó
invisível. Eles também brigam, batem portas e saem por aí. Mas voltam
rindo da cara um do outro, se aninham e dizem coisas como ‘não consigo
ficar braba contigo’.” (..)
Nenhum comentário:
Postar um comentário